O texto na era digital
Superficialidade
Há
quem veja nessa torrente de informações que jorra na internet um fator
negativo, dificultando nossa concentração em textos de fôlego como
romances, por exemplo. Em artigo controverso publicado na revista The Atlantic em
2008, intitulado "O Google Está nos Deixando Idiotas?", o crítico de
tecnologia Nicholas Carr defende a tese de que a navegação na internet
está interferindo em nossa capacidade de leitura. Se antes, afirma Carr,
ele se sentia um "mergulhador num oceano de palavras", hoje ele
literalmente se sente "esquiando nesse oceano", dando a entender que a
experiência de ler proporcionada pela internet é bastante superficial.
Por
falar em imersão, para Roseli Deieno Braff, supervisora de língua
portuguesa da editora COC, essa geração que já nasceu imersa na
tecnologia não possui carência de informações, pois está sempre
conectada. Porém falta muitas vezes a capacidade de se aprofundar mais
no que leem e, consequentemente, de separar o joio do trigo.
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Não falta informação para esses jovens, mas muitas vezes falta a
capacidade de processar e refletir sobre tudo o que leem. Ansiosos e
inquietos, consideram uma tarefa muito difícil ler um livro de cem
páginas. Nesse sentido, a ausência de concentração torna-se muito
negativa, obstáculo inclusive para a resolução dos problemas que a vida
certamente vai oferecer - afirma Roseli.
Ainda
que o processo de reflexão não esteja acompanhando o ritmo acelerado
com que esta geração vem consumindo informações, a professora de
português Rosangela Cremaschi, do curso de Comunicação Escrita da FAAP,
acredita que a diversidade de códigos e linguagens tem deixado os jovens
mais atentos e receptivos.
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A internet deixou o leitor mais receptivo e participativo, pois recebe
informações em diferentes linguagens e por meio de leituras não
lineares. O texto até então "sagrado" se torna mais acessível. Se antes o
ato de ler era algo distante, a internet acabou com isso, o que é
positivo - defende Rosangela.
O
escritor Michel Laub também vê com bons olhos os novos hábitos de
leitura incutidos pela tecnologia. Para ele, a propensão a textos mais
curtos em sites e blogs não nos tornou necessariamente mais dispersos ou
desatentos. Ao contrário: lê-se mais do que antigamente.
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Os que leem textos mais longos e difíceis são uma minoria como sempre
foram. Mas o restante das pessoas, que há uma década não lia nada, hoje
trabalha com o texto escrito boa parte do tempo, e isso cria um certo
hábito de leitura, mesmo que diluído - afirma.
http://revistalingua.com.br/textos/64/artigo249031-1.asp